Casa de Camilo

Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco
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Seide Saúda-vos!

3 de setembro de 2011

A Ponte entre os Amores de Camilo...


Foto da autora do blog. Proibida a cópia sem autorização.


Amor de Perdição

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

Amor de Perdição é o título de uma novela portuguesa de Camilo Castelo Branco, escrito em 1862. É o mais famoso romance do autor, um dos expoentes do romantismo em Portugal.

A redação dessa obra, sua maior novela passional, foi inspirada em suas desventuras - sempre envolvido em casos amorosos complicados - e na peça Romeu e Julieta, de Shakespeare. Com a publicação da obra em 1862, Castelo Branco alcança grande popularidade.




Amor de Salvação


Amor de Salvação é o título de um romance de Camilo Castelo Branco, publicado em 1864.

«O amor salva? O romance Amor de Salvação, de Camilo Castelo Branco é um romance passional, considerada pela crítica uma das obras mais bem acabada do autor. A história relata lembranças que são contadas ao narrador pelo protagonista, em uma noite de Natal, após um reencontro entre os dois que não se viam há quase doze anos...» - resumo no blog "Camilo 2.0" (http://camilo20.wordpress.com/2009/06/26/amor-de-salvacao-3/)




No slide: Um amor comum - nos cenários de Samardã e Ribeira de Pena



"Quando Camilo Castelo Branco desceu de Vilarinho da Samardã para Ribeira de Pena, atravessando as áridas paisagens do Alvão, seria um rapaz imberbe, com apenas quinze anos feitos. Convivendo com o drama da orfandade, integrado numa família para quem era mais um encargo do que alegria, Camilo começava a despontar para a vida, para o amor, para o sonho e para a ansiedade de possuir o mundo. Acredito que ao descer de Vidoedo e vislumbrar todo o vale do Tâmega verdejante, viçoso, a seus pés, tenha sentido arroubos de liberdade.

Esperava-o, lá no fundo, junto ao rio, sua prima Maria do Loreto, casada com um lavrador da Casa do Moreira, em Friúme. Em Friúme, Camilo conviveu com o boticário Macário Afonso que lhe ensinou a jogar “às damas e ao gamão”; com o tabelião José de Mesquita Chaves, de quem foi “amanuense” pelo menos durante um mês; com os fidalgos da Casa de Fontes com os quais organizou entremezes. Frequentou as aulas do Padre Manuel da Lixa, na Granja Velha “sujeito de não vulgar lição e bom velho, sobretudo”. Calcorreou rios e montes atrás de trutas e de coelhos. Casou na Igreja do Salvador a 18 de Agosto de 1841 com Joaquina Pereira de França. Camilo conta que saiu de Ribeira de Pena fugido “aos punhos de um morgado visigótico”, que ridicularizara em versos. Os punhos eram certamente verdadeiros, o castigo acredito que merecido, mas tudo não terá passado de um pretexto para iniciar novos voos, que uma terra pequena e fechada como Ribeira de Pena não permitiam ao génio do futuro romancista. Que ficou de tudo isto? Páginas inesquecíveis onde a memória da Ribeira perpassa com grande riqueza de elementos. Personagens como Santo da Montanha ou o Fidalgo Mendigo, delírios como os do Fantasma do Capitão-Mor de Santo Aleixo ou o enredo de “Como Ela o Amava”. Essa pequena jóia da literatura portuguesa, a “Maria Moisés”, toda ela ribeirapenense.


Seguramente, Ribeira de Pena não era terra para Camilo Castelo Branco. Mas a sua arte teria sido bem mais pobre sem o manancial humano que o escritor ali bebeu em dois curtos anos de vida."


Serviços Municipais - Camilo e Ribeira de Pena:
http://www.cm-rpena.pt/?pg=serv_municipais&sec=ecd&sec2=camilo_r_p

25 de julho de 2011

Samardã


''Eu que conheço a Samardã, desde os meus onze anos.
Está situada na província transmomtana, entre as serras do
Mesio e do Alvão. Nas noites nevadas, as alcateias dos
lobos descem à aldeia e cevam a sua fome nos rebanhos,
se vingam descancelar as portas dos currais; à míngua de
ovelhas, comem um burro vadio ou dois, consoante a
necessidade. Se não topam alimária, uivam lugubremente,
e embrenham-se nas gargantas da serra, iludindo a fome
com raposas ou gatos bravos marasmados pelo frio. Foi
ali que eu me familiarizei com as bestas-feras; ainda
assim, topei-as depois, cá em baixo, nos matagais das
cidades, tais e tantas que me eriçaram os cabelos....''

Camilo Castelo Branco
In Novelas do Minho
'O Degredado'

15 de julho de 2011

Nos passos de Camilo ... 2ª parte

 Na foto: Igreja Matriz do  Divino Salvador em Ribeira de Pena

«Foi nesta igreja  que casou, em 18 e Agosto de 1841, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco, na altura com 16 anos de idade, com Joaquina Pereira de França, uma jovem de 14 anos, natural de Gondomar e residindo na povoação de Friúme com seus pais.»  - Roteiro Camiliano em Ribeira de Pena

Ribeira de Pena esperáva-nos para o resto do percurso camiliano, tendo como guia o Dr. Emanuel Guimarães. Em dois pequenos autocarros, cedidos pela Câmara Municipal, seguimos para Friúme, local para onde Camilo vai viver, entre um a dois anos da sua vida, depois de abandonar a Samardã.

Segue-se uma pequena parte do texto de Francisco Botelho -"Camilo e Ribeira de Pena" - que vem na contracapa dos "Contos Ribeirapenenses de Camilo (Como ela o amava! História de uma porta e Sexto casamento feliz) uma Edição da Câmara Municipal de Ribeira de Pena, que, gentilmente, nos foi oferecido na visita.

«Quando Camilo Castelo Branco desceu de Vilarinho da Samardã para Ribeira de Pena, atravessando áridas paisagens do Alvão, seria um rapaz imberbe, com apenas quinze anos feitos. Convivendo com o drama da  orfandade, integrado numa família para quem era mais um encargo do que alegria, Camilo começava a despontar para a vida, para o amor, para o sonho de possuir o mundo. Acredito que ao descer de Vidoedo e vislumbrar todo o vale do Tâmega verdejante, viçoso a seus pés, tenha sentido arroubos de liberdade.
(...)»

Este nosso passeio teve como mote a novela "Maria Mosés" - livro agendado para este mês de Julho, na continuação dos encontros da comunidade de  leitores das "Noites de Insónia".

 Na foto: "As poldras" - no rio Tâmega

«Ao avistar as poldras que alvejavam poídas e resvaladíssimas ao lume de água, teve vertigens e disse: "Eu vou morrer". Pôs o berço à cabeça, esfregou os olhos turvos de pavor, e esperou que as pancadas do coração sossegassem. Depois, benzendo-se, pisou com firmeza as quatro primeiras pedras; mas daí em diante ía como que cega; a corrente parecia-lhe caudal e negra. Quis sentar-se numa das polras; e, na precipitação com que o fez para não cair, escorregou ao rio.» - Camilo Castelo Branco, em "Maria Moisés", uma das novelas do Minho - podemos considerar esta pequena jóia da literatura portuguesa, segundo Francisco Botelho, toda ela ribeirapenense.

 Na foto: Ponte de arame

«(...)E se a Ponte de Arame não é contemporânea de Camilo, ela é um local extremamente agradável
para acompanhar a leitura de dois textos alusivos à travessia do Tâmega e escritos por Camilo.
Um, através das poldras, figura na novela “Maria Moisés”. O outro, uma travessia de barca, é
descrita no Sexto dos “Doze Casamentos Felizes”.(...)» - Roteiro Camiliano em Ribeira de Pena

Ver o Roteiro camiliano completo aqui:
http://brp.no-ip.org/images/editorfile/Roteiro_Camiliano.pdf

Na foto: Convívio com 'canto coral à mistura' -  José Manuel Oliveira com o cancioneiro na mão e Reinaldo Ferreira à viola. 

Agradeço aqui ao Dr. José Manuel Oliveira, director do Centro de Estudos Camilianos, em Seide, a  feliz oportunidade que nos deu com tão maravilhoso passeio, o enriquecimento cultural e o convívio espectacular que todos bem-dizemos e que desejámos se repita mais vezes. 
Bem haja! 

Ribeira de Pena- 2ª parte
 

13 de julho de 2011

Nos passos de Camilo... 1ª parte

Visitar Vilarinho da Samardã, em Vila Real, e Friúme, em Ribeira de Pena, ... onde Camilo passou parte da sua infância e juventude, leva-nos muito atrás no tempo, ao tempo de seguirmos os passos de um jovem feliz, caminhando tão em sentido oposto aos passos finais que lhe conhecemos em S. Miguel de Seide.
Foi com alguma nostalgia, mas com imenso prazer, que acompanhámos o nosso anfitrião de Seide, o Dr. José Manuel Oliveira, que nos guiou nesta parte do Roteiro Camiliano.  
Saídos de Vila Nova de Famalicão na manhã cinzenta e chuvosa de 9 de Julho, em jeito de ameaça  de nos encobrir a paisagem o dia todo, assim chegámos a Vila Real, onde nos abastecemos com umas deliciosas e quentinhas "covilhetes" (tipo empadinhas de carne) da pastelaria Gomes. Daí seguimos para Vilarinho da Samardã, local onde viveu Camilo Castelo Branco e sua irmã, vindos de Lisboa assim que ficaram orfãos.
Foi aqui, na casa da tia Rita Emília, que Camilo passou os anos mais felizes da sua infância e adolescência, conforme as suas próprias palavras, usadas na inscrição da parede da casa:

"Eu não tenho imaginação, tenho memória, memória do que vi, do que senti, do que experimentei." (Vingança, 1858)

"Quando quero retemperar a imaginação gasta, vou caldeá-la à incube do viver campesino. Evoco lembranças da minha infância e adolescência, passadas na aldeia, e até a linguagem me sai de outro feitio, singela afectação, casquilha sem os requebrados volteios, que lhe dão os inviesados estilistas bucólicos". (Vinte Horas de Liteira, 5ª edição, 1966)



E, passadas as primeiras impressões, as mais sentidas em comoção e lembranças felizes do nosso escritor de Seide, eis-nos instalados num magnífico parque de merendas ali perto, onde nos propusemos alegrar o dia com um repasto delicioso, guitarradas e cantigas, agradecendo aos céus por nos dar uma 'aberta' no tempo, o tempêro do estômago e a leveza da alma. Foram momentos magníficos vividos em partilha e alegria com o grupo de leitores e coordenadores das Noites de Insónia, mais todo o pessoal que cuida e rege a Casa de Camilo e o Centro de Estudos Camilianos, em S. Miguel de Seide, contando ainda com a presença de alguns familiares e amigos.

De seguida, fomos para a aldeia de Bragadas, em Ribeira de Pena, visitar a famosa porta que deu ensejo à "História de uma porta", inserida nos contos: Noites de Lamego.


 


































"A cena decorre em Bragadas, lugar da margem fronteira a Friúme.
(...)
Bragadas está no viso de um outeiro, cujos pendores caiem sobre os rios Tâmega e Beça, perto a sua confluência.
(...)
Das trutas do Beça, diz Camilo serem «trutas velhas de cabelos brancos» e ainda que elas eram «as maiores trutas dos córregos, riquíssimos de Portugal».
(...)
Mas não deixa de estar lá um portal, escondido aos olhos de quem na rua passa, imprevisível na localização, nas proporções desmesuradas, e também mesmo na ornamentação, que não tendo a riqueza hiperbolizada de Camilo, é, mesmo assim, o melhor espécime de portal magestoso entre nós existente.
(...)
Dentro, a casa da moradia, é, como diz Camilo, uma modesta habitação de lavradores remediados.
(...)
Porque não teria prosseguido aquela obra magestosa?
Roubo do dinheirinho praticado pelo padre-filho ao padre-pai como conta Camilo, ou isto não passa de ficcão novelista?
(História de uma porta - In Noites de Lamego)


(Pode ler-se mais aqui: Casa do Barroso, Aldeia de Bragadas (Ribeira de Pena) - no blogue da Casa de Camilo) 


Fim da 1ª parte deste Roteiro.

Pode ver-se mais no blogue: "Portugal___ em Mim"  
http://lucy-natureza.blogspot.com/2011/07/nos-passos-de-camilo-ribeira-de-pena.html

(Continua no post seguinte)
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Casa de Camilo - Noites de Insónia

«As “Noites de Insónia” têm como finalidade a descoberta de formas diferentes de aproximação aos textos camilianos, através da discussão em grupo de determinadas obras, escolhidas previamente. Do gosto pela leitura e da conversa sobre o que se lê, da troca de opiniões, de pontos de vista, de associações, procuraremos criar cumplicidades e desenvolver o gosto por uma leitura mais activa e partilhada da obra do romancista de Seide.» http://camilocastelobranco.org/index2.php?co=569&tp=6&cop=260&LG=0&mop=604&it=evento_lst Coordenadores: 2009 - Professor Cândido Oliveira Martins - Universidade Católica de Braga 2010 - Professor Sérgio Guimarães de Sousa - Universidade do Minho 2011 - Prof. João Paulo Braga

Encontros 2012 - Professor Sérgio

15 Fevereiro - "Memórias do Cárcere" - Discurso Preliminar
7 Março - "Memórias do Cárcere" - Do I capítulo ao V

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"Memórias de um suicida" - 30 de Novembro - 20h "O que fazem Mulheres" - 6 de Outubro - 21:30h "O Amor de Perdição" - 16 Junho - 20h "O Senhor do Paço de Ninães" - 21 Abril - 21h30 "Anátema" - 24 Março - 21h30 "A Bruxa de Monte Córdova" - 24 Fevereiro - 21h30 "A Queda dum Anjo" - 20 Janeiro - 21h30

Encontros 2009 - Professor Cândido

"Estrelas Propícias" - 11 Novembro - 20h "A Brasileira de Prazins" - 21 Outubro - 21h00 "Novelas do Minho" - 16 Setembro - 21h30 "Coração, Cabeça e Estômago" - 17 Junho - 21h30 "Vinte horas de Liteira" - 22 Maio - 21h30 "Memórias do Cárcere" - 30 Abril - 21h30