Casa de Camilo

Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco
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Seide Saúda-vos!

14 de fevereiro de 2011

Os amores de Camilo



«Em 1841, com apenas dezesseis anos, casa-se com Joaquina Pereira. Ao completar dezoito anos, matricula-se na Faculdade de Medicina na cidade do Porto, mas não dá continuidade ao curso. Em 1844, envereda-se por uma vida boêmia na noite portuária, entre os cabarés e os prostíbulos.

No ano de 1846, Camilo inicia um romance com Patrícia Emília e foge com a amante para a cidade do Porto. Nesta época, publica um artigo de cunho político no qual criticava avidamente o governador civil José Cabral Teixeira de Moraes. Suas críticas lhe renderam um espancamento pelo capanga do governador.

A relação com Patrícia Emília iniciara sem que Camilo houvesse se separado de Joaquina Pereira. Deste modo, é acusado e preso por bigamia. Após obter a liberdade, em 1848, abandona Patrícia e também não retorna aos braços de Joaquina. Volta a viver com a irmã, já residente em Covas do Ouro, e dedica-se ao jornalismo, envolvendo-se em amores passageiros. Nesta mesma época, conhece Ana Plácido, escritora e noiva de um comerciante brasileiro chamado Manuel Pinheiro Alves (que seria retratado de modo depreciativo e indireto nas novelas de Camilo Castelo Branco).

Camilo e Ana Plácido iniciam um relacionamento paralelo. Quando Ana casa-se com Manuel Pinheiro, o escritor abala-se profundamente e busca refúgio na religião. Passa a freqüentar o seminário por aproximadamente dois anos, entre 1850 e 1852. Entretanto, acaba por envolver-se amorosamente com uma freira chamada Isabel Cândida. Extremamente desiludido, Camilo tenta suicídio ao abandonar o seminário.

O relacionamento adúltero com Ana, é retomado anos mais tarde e ambos fogem para viver juntos. No entanto, são encontrados e capturados em 1861. A relação causou um forte impacto sobre a opinião pública portuguesa. Era o modelo das narrativas românticas nas quais todas as convenções sociais são ignoradas em nome de uma causa; neste caso, o sentimento que os unia. Camilo é condenado e torna-se prisioneiro na "Cadeia da Relação do Porto", onde conheceu o famoso criminoso português Zé do Telhado. Neste mesmo período, escreve uma de suas obras mais famosas: Memórias do Cárcere. Após conquistar a liberdade, a esta altura já com trinta e oito anos, o escritor e sua amante retomam o romance e passam a viver juntos em São Miguel de Seide.

Ana Plácido dá à luz a um filho que, teoricamente, era de seu antigo marido. Neste momento, a família já conta com dois filhos de relacionamentos anteriores de Camilo somando-se ao recém-nascido de sua atual esposa. Em 1863, Manuel Pinheiro Alves falece e o casal passa a viver com mais conforto na propriedade do comerciante falecido, em São Miguel de Seide. Mas a fraca saúde dos filhos do casal, obriga Camilo a escrever sob encomenda para sustentar as finanças. Suas novelas são narrações curtas que abordam temas cotidianos e vão de encontro à predileção literária do leitor emergente e consumidor lusitano. Neste momento, Camilo passa a ser o primeiro escritor português a viver exclusivamente da própria literatura.»



29 de janeiro de 2011

Impressão Indelével

"Quando eu inventar,
arrepiarei os cabelos
às minhas imagens".

Camilo, Impressão Indelével

 

Inclui três histórias - "Impressão Indelével", "O Esqueleto" e "A Caveira".

«Ocorre-me apenas perguntar se estes contos, e este romance em forma de conto, não terão sido o amor de perdição do escritor que pensava que sabia porque mistério as lembranças mais vizinhas do berço andam juntas aos temores do túmulo.» (do Prefácio).

Três histórias de Camilo em que as paixões vão muito para além da morte, muito para além da tumba.

Três histórias de paixões tão exacerbadas que levam o amador a negar a morte, preservando o cadáver da amada arrancando-o mesmo do túmulo.

“Impressão Indelével” é um livro de Camilo que tem muito de inédito.

É a primeira vez que esta narrativa se publica na forma de um livro autónomo.

E é a primeira vez que se juntam três histórias com uma tão visível marca necrófila: “Impressão Indelével”, “A Caveira” e “O Esqueleto”.

O livro tem um prefácio intenso de João Bénard da Costa e uma cronologia de Camilo Castelo Branco.



 
Necrófilo

A hipótese da necrofilia de Camilo é defendida por uns e contestada por outros. A suspeita parte da narrativa publicada pelo autor, em 1857, na Aurora do Lima, intitulada Impressão Indelével. Está narrada na primeira pessoa e conta a história da exumação do cadáver de uma antiga namorada de Camilo, Maria do Adro.
Muitos dizem que a história é um relato da realidade e não uma ficção.
Para ajudar à suspeita da necrofilia do autor, há o testemunho do único Prémio Nobel português, o Prof. Egas Moniz, que refere no seu livro Vida Sexual : «O que apenas desejei patentear é que, pelo exame das provas que as biografias publicadas nos fornecem, não podemos deixar a suspeita de que Camilo fosse um necrófilo.» (1).
Mais tarde, o Prémio Nobel português rectifica a suspeita , concluindo que: «...Camilo não só nunca foi um anormal genésico, mas não mostra, por este relato, o mais leve pendor para o campo das perversões sexuais.»(2)
Contra a tese da necrofilia, está, entre outros, Alexandre Cabral ao dizer que o facto de Camilo ser o sujeito de enunciação da narrativa, não o torna o sujeito da acção.

(1) in Dicionário de Camilo Castelo Branco, de Alexandre Cabral, pg.441, Editorial Caminho, Lisboa, 1988, s/ed.

(2) Op.Cit., pg.442.



23 de janeiro de 2011

A Sereia... - 1º período literário: Romantismo


Mais uma noite de tertúlia para iniciar este novo ano de Noites de Insónia, na Casa e Camilo.
O próximo encontro irá realizar-se a 9 de Fevereiro, pelas 21:30h.
Obra escolhida: A Sereia, de Camilo Castelo Branco
Prof. Coordenador: João Paulo Braga.


Camilo C. B. em 1861


CAMILO CASTELO BRANCO  (1825, 1890)

Periodo Literário


Literatura Moderna


1º Período: Romantismo

Read more: http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=171#ixzz1BokEDHMe


Títulos

Os Pundonores Desagravados (1845)
O Juízo Final E O Sonho Do Inferno (1845)
Agostinho De Ceuta (1847)
A Murraça (1848)
Maria. Não Me Mates. Que Sou Tua Mãe (1848)
O Caleche (1849)
O Marquês De Torres Novas (1849)
O Clero E O Sr. Alexandre Herculano (1850)
Inspirações (1851)
Anátema (1851)
Mistérios De Lisboa (1854)
Livro Negro De Padre Dinis (1855)
Cenas Contemporâneas (1855)
A Filha Do Arcediago (1855)
A Neta Do Arcediago (1856)
Onde Está A Felicidade? (1856)
Um Homem De Brios (1857)
Carlota Ângela (1858)
O Que Fazem Mulheres (1858)
O Romance De Um Homem Rico (1861)
Cenas Da Foz (1861)
Amor De Perdição (1862)
Coração. Cabeça E Estômago (1862)
Aventuras De Basílio Fernandes Enxertado (1863)
O Bem E O Mal (1863)
Amor De Salvação (1864)
A Sereia (1865)
A Queda Dum Anjo (1866)
O Judeu (1866)
O Olho De Vidro (1866)
A Doida Do Candal (1867)
A Bruxa De Monte Córdova (1867)
O Retrato De Ricardina (1868)
Os Brilhantes Do Brasileiro (1869)
A Mulher Fatal (1870)
O Regicida (1874)
A Caveira Do Mártir (1875)
A Filha Do Regicida (1875)
Eusébio Macário (1879)
A Corja (1880)
A Brasileira De Prazins (1883)

Read more: http://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=171#ixzz1BoihjgqK

Nota: os títulos sublinhados já foram lidos nas Noites de Insónia.

15 de janeiro de 2011

Zé do Telhado - herói camiliano



José Teixeira da Silva, nascido em 1818 no lugar do Telhado, Castelões de Recezinhos, comarca de Penafiel, é dos salteadores mais conhecidos da história portuguesa. "Zé do Telhado", nome que saltou para além do Marão, diz o povo, roubava aos ricos para dar aos pobres. A fama, essa, não lhe valeu aos olhos da justiça nem o salvou da Cadeia da Relação no Porto, onde por fim recolheu, acusado de roubos vários, homicídio, organização de quadrilha de assaltantes e evasão tentada sem passaporte. Lá travou conhecimento com Camilo Castelo Branco, ele que, por outros motivos românticos, era na altura hóspede do local. Dessa estadia resulta "Memórias do Cárcere", onde ficam gravados os feitos do bandoleiro.


(Na foto: Camilo Castelo Branco e José Teixeira da Silva)
«Este nosso Portugal é um país em que nem pode ser-se salteador de fama, de estrondo, de feroz sublimidade.
(...)
Roubar ilustriosamente, é engenho. Saquear a ferro e fogo, é roubo.
(...)
Diz algo, no entanto, como exemplo desta lastimável anomalia, a história de José Teixeira da Silva do Telhado, o mais afamado salteador deste século.
(...)
 Seu pai era o famigerado Joaquim do Telhado, capitão de ladrões, valente com as armas e raio devastador em franceses que ele matava porque eram franceses e porque eram ladrões, posto que, na qualidade de membro da nação espoliada, o Senhor Joaquim chamasse só a si o que era de fazenda nacional. Um tio-avô de José Teixeira, chamado ele o Sodiano, já tinha sido salteador de porte e infestara o Marão durante muitos anos.»

Os tempos pediam heróis. Depois de três invasões napoleónicas, o país seguia na miséria, dividido entre lutas liberais e absolutistas, com a corte exilada num Brasil distante e os que ficaram em terra entregues à crise económica e política. Da Guerra Civil, tal como Maria da Fonte, também Zé do Telhado sai herói. Pela bravura ao lado das tropas liberais do General-Visconde de Sá da Bandeira, condecoram-no com a "Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito". Da tropa e desempregado, voltou para a mulher e cinco filhos, seguindo a vida de salteador que lhe valeu a fama. Os anos ao comando da quadrilha de bandoleiros de Custódio, o "Boca Negra" não lhe custaram enfim a forca, mas o degredo. É em Malanje, Angola, que terminou os seus dias, negociante de borracha, cera e marfim e a dar pelo nome de "Quimuêzo", o homem de barbas grandes.

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Casa de Camilo - Noites de Insónia

«As “Noites de Insónia” têm como finalidade a descoberta de formas diferentes de aproximação aos textos camilianos, através da discussão em grupo de determinadas obras, escolhidas previamente. Do gosto pela leitura e da conversa sobre o que se lê, da troca de opiniões, de pontos de vista, de associações, procuraremos criar cumplicidades e desenvolver o gosto por uma leitura mais activa e partilhada da obra do romancista de Seide.» http://camilocastelobranco.org/index2.php?co=569&tp=6&cop=260&LG=0&mop=604&it=evento_lst Coordenadores: 2009 - Professor Cândido Oliveira Martins - Universidade Católica de Braga 2010 - Professor Sérgio Guimarães de Sousa - Universidade do Minho 2011 - Prof. João Paulo Braga

Encontros 2012 - Professor Sérgio

15 Fevereiro - "Memórias do Cárcere" - Discurso Preliminar
7 Março - "Memórias do Cárcere" - Do I capítulo ao V

Encontros 2011 - Professor Paulo

2011 "A Viúva do Enforcado" - 16 de Novembro - 21:30 "A Filha do Arcediago" - 19 de Outubro - 21:30 "As Aventuras de Basílio Enxertado" - 21 de Setembro - 21:30 "Maria Moisés" - 9 de Julho - 21:30 "O Cego de Landim" - 15 de Junho - 21:30 "O Retrato de Ricardina" - 4 de Maio - 21:30 "A Corja" - 6 de Abril - 21:30 "Eusébio Macário" - 9 de Março - 21:30 "A Sereia" - 9 de Fevereiro - 21:30

Encontros 2010 - Professor Sérgio

"Memórias de um suicida" - 30 de Novembro - 20h "O que fazem Mulheres" - 6 de Outubro - 21:30h "O Amor de Perdição" - 16 Junho - 20h "O Senhor do Paço de Ninães" - 21 Abril - 21h30 "Anátema" - 24 Março - 21h30 "A Bruxa de Monte Córdova" - 24 Fevereiro - 21h30 "A Queda dum Anjo" - 20 Janeiro - 21h30

Encontros 2009 - Professor Cândido

"Estrelas Propícias" - 11 Novembro - 20h "A Brasileira de Prazins" - 21 Outubro - 21h00 "Novelas do Minho" - 16 Setembro - 21h30 "Coração, Cabeça e Estômago" - 17 Junho - 21h30 "Vinte horas de Liteira" - 22 Maio - 21h30 "Memórias do Cárcere" - 30 Abril - 21h30