Casa de Camilo

Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco
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Seide Saúda-vos!

3 de novembro de 2010

Memórias de um suicida - Yvonne A. Pereira




Sinopse
Neste livro, o autor Espiritual – Camilo Castelo Branco, sob a orientação do Espírito Léon Denis – descreve a sua dolorosa experiência no plano espiritual após a desencarnação resultante de suicídio, transmitindo valiosos ensinamentos, especialmente aos que se deixam avassalar pela idéia de pôr termo à existência física. Evidencia a grandeza da misericórdia divina em favor de Espíritos de suicidas arrependidos, proporcionando-lhes a oportunidade do conhecimento do Universo e da Vida na sua integral dimensão, por meio de cursos proporcionados pela Espiritualidade Superior em que são estudados a Gênese planetária, a evolução do Ser, a imortalidade da alma, a Moral Cristã, dentre outros temas relevantes para a compreensão de que “– Nenhuma tentativa para o reerguimento moral será eficiente se continuarmos presos à ignorância de nós mesmos.” Recomenda-se não interromper a leitura após o impacto inicial provocado pela descrição das dramáticas cenas expostas, pois o livro também demonstra que há sempre um caminho de retorno, de reconstrução, para os faltosos arrependidos. Há sempre a Esperança, porquanto a reabilitação é sempre possível.


Médium:Yvonne A. Pereira

Espírito:Camilo Cândido Botelhobr /> Páginas: 688

Tamanho: 14x21 (cm)




COMO FOI PSICOGRAFADO O LIVRO MEMÓRIAS DE UM SUICIDA


Material extraído do livro Pelos Caminhos da Mediunidade Serena.

Em agosto de 1975, o extinto periódico carioca Obreiro do Bem, publicou mais uma entrevista de Yvone Pereira. Uma entrevista histórica, em que a pupila de Charles fala sobre os primeiros contatos com o espírito Camilo Castelo Branco.
Obreiros do Bem – Todos os espíritas reconhecem memórias de um suicida como uma autêntica obra prima, desses livros que aparecem a cada cem anos. Como se travou seu conhecimento com Camilo Castelo Branco e quais as circunstâncias que cercaram a captação do livro?

Yvone Pereira

- Creio que meu conhecimento com Camilo seja até de vidas passadas, porque, segundo as referencias que tenho a respeito de meu pretérito, eu residi, ou pelo menos desencarnei, em Lisboa, Portugal, e a primeira vez que o vi, nesta presente existência, contava doze anos, somente, não sabia que fosse ele Camilo Castelo Branco. Vi aquele espírito muito triste, torturado, mas, repito, não sabia que era Camilo. No ano de 1956, depois de ter sido dado a público, Memórias de um Suicida, em novembro de 1955, fui pela primeira vez, a Pedro Leopoldo. Nunca havia conversado com o Chico, do mesmo modo, portanto, que nunca havíamos trocado ideias sobre esse assunto. Estávamos, então, na residência de Chico, onde, na sala, conversávamos com D. Esmeralda Bittencourt, de quem ele era muito amigo, e a qual havia perdido dois filhos, em circunstâncias trágicas. Chico Consolava-a muito. Foi quanto recebeu para d. Esmeralda uma comunicação do filho que havia falecido depois do que escreveu alguma coisa que passou às minhas mãos, dizendo tratar-se de um soneto de Antero de Quental, a mim endereçado. “Diz ele”, continuou o Chico, que, quando se deu o seu suicídio em Lisboa, ele era mocinho e recorda-se muito dos comentários da sociedade, a esse respeito. Aceitei plenamente a comunicação, porque Chico não sabia de nada do que se havia passado comigo,nem mesmo na existência presente. Procurei, então, saber a época em que viveu Antero de Quental: e vim a constatar que foi justamente o tempo de Camilo Castelo Branco.

Quanto às circunstancias de captação do livro, não creio haja acontecido de algo especial, propriamente. Apenas um belo dia, em 1926, depois do receituário que desenvolvia no centro espírita de Lavras, senti o braço escrever, vi Camilo, e começaram desde então a surgir os episódios de memórias de um suicida. Acontece que o escritor dava apenas as narrativas, sem nenhum comentário doutrinário. Como fosse muito nova e conhecesse pouco à doutrina,eu passei a achar que talvez se tratasse de mistificação; mas, como gostasse, no fundo, do que por assim dizer surgia no papel, continuei a escrever, diariamente, na instituição já citada, após o receituário abundantíssimo. Só vinte e cinco anos, após, quando eu morava no Rio de Janeiro, tendo os espíritos me orientado no sentido de rever o livro bem como termina-lo, porque ele não estava completo, foi que se apresentou Léon Denis e auxiliou Camilo a elaborar o conteúdo doutrinário existente da obra.

Notas:

1- Divaldo P. Franco, em entrevista a mim concedida para a composição do livro Yvone Pereira: uma heroína silenciosa, afirmou que Francisco Candido Xavier, lhe havia contado impressões do espírito André Luiz sobre Memórias de um suicida. Andre Luiz, dizia a Chico, considerava-o o livro dos últimos cinquenta anos e dos próximos cinquenta, ou seja, uma obra que viera marcar um século.
2-Antero T. Quental era originário de Açores, tendo nascido em Ponta Delgada a 18 de abril de 1842, vindo a cometer suicídio 11 de setembro de 1891, também em Açores. Poeta e escritor, invulgar e foi licenciado em direito, tendo deixado textos políticos, poemas líricos-filosoficos, prosas sócio-históricas e outros. A considerar o que o texto afirma o suicídio de Yvone, em Lisboa, teria acontecido entre os anos de 1854 a 1867, considerando uma margem de erro razoável, em relação à mocidade aludida por Antero.
Fonte: Pelos caminhos da Mediunidade Serena/ Yvone do Amaral Pereira – 1ª Ed., 1ª reimp. – São Paulo, SP: Lachâtre, 2007, pag.35-36. Imagem: Google.
Postado por Luciano Dudu em 28/10/2010


HISTÓRIA & ESPIRITISMO:
http://lucianodudu1974.blogspot.com/2010/10/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

24 de outubro de 2010

Álvaro Siza Vieira traz «Tempos Modernos» à Casa de Camilo

Álvaro Siza Vieira traz «Tempos Modernos» à Casa de Camilo, no âmbito da iniciativa «Um Livro, Um Filme»

Dia 29 de Outubro, às 21h30

NO BLOG:

Álvaro Siza Vieira traz «Tempos Modernos» à Casa de Camilo, no âmbito da iniciativa «Um Livro, Um Filme» (Dia 29 de Outubro, às 21h30)
Outubro 23, 2010 por casadecamilo

Álvaro Siza Vieira, o mais conceituado e premiado arquitecto contemporâneo português, é o próximo convidado da sessão de «Um Livro, Um Filme», actividade promovida, na última 6.ª Feira de cada mês, pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, através da Casa de Camilo, no auditório do Museu em S. Miguel de Seide.
No próximo dia 29 de Outubro, pelas 21h30, Álvaro Siza Vieira comentará o filme por si escohido: «Tempos Modernos», de Charlie Chaplin.

Sinopse do filme:
Um trabalhador de uma fábrica tem um colapso nervoso por trabalhar de forma quase escrava. É levado para um hospital, e quando retorna para a “vida normal”, para o barulho da cidade, encontra a fábrica já fechada. Vai em busca de outro destino, mas acaba por se envolver numa confusão: ao ver uma jovem roubar um pão para comer, decide entregar-se em seu lugar…

http://casadecamilo.wordpress.com/2010/10/23/alvaro-siza-vieira-traz-%c2%abtempos-modernos%c2%bb-a-casa-de-camilo-no-ambito-da-iniciativa-%c2%abum-livro-um-filme%c2%bb-dia-29-de-outubro-as-21h30/

18 de outubro de 2010

Antestreia de "Mistérios de Lisboa" e RTP - CÂMARA CLARA


Foto da autora deste blogue.



"Mistérios de Lisboa" - o filme do chileno Raúl Ruiz, baseado na obra homónima de Camilo Castelo Branco, teve a sua antestreia nacional no auditório do Centro de Estudos Camilianos, em Seide, na noite de 15 de Outubro, com a apresentação de dois actores.



Todas as semanas, no CÂMARA CLARA, Paula Moura Pinheiro convida gente que gosta de artes e ideias para conversar sobre os livros, os espectáculos, os filmes, as exposições e as conferências da actualidade, sem esquecer os Clássicos que, por serem Clássicos, nunca envelhecem.




O filme "Mistérios de Lisboa" e Camilo Castelo Branco, foram o assunto discutido neste Domingo à noite.


CONVIDADOS: JOSÉ VIALE MOUTINHO E MARIA JOÃO BASTOS


Mistérios de Lisboa, o último filme do chileno Raúl Ruiz, a partir da obra de Camilo Castelo Branco, estreia no dia 20 nas salas cinema de França e no dia 21 nas de Portugal.

Dos diversos festivais para que foi seleccionado – do de Toronto ao de Nova Iorque, passando pelo de San Sebastián – arrebatou crítica e público e trouxe já o prémio de Melhor Realizador.

Com produção de Paulo Branco e um elenco surpreendente, Mistérios de Lisboa é a oportunidade perfeita para falar da vida e da obra de Camilo Castelo Branco e da vida e da obra de Raúl Ruiz.

Maria João Bastos, a protagonista de Mistérios…, e José Viale Moutinho, autor sobre a vida e a obra de Camilo são o par do próximo Câmara Clara, que acontece em puro ambiente fim de século XIX…


O vídeo do programa, aqui ONLINE: RTP - CÂMARA CLARA

6 de outubro de 2010

O que Fazem Mulheres - Camilo Castelo Branco

"O que Fazem Mulheres" - hoje, às 21:30h, na reunião de leitores das Noites de Insónia, na Casa de Camilo.


ROMANCE PHILOSOPHICO

QUARTA EDIÇÃO

1907
PARCERIA ANTONIO MARIA PEREIRA Livraria editora e Officinas Typographica e de
Encadernação Movidas a electricidade Rua Augusta--44 a 54 LISBOA
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::


A TODOS OS QUE LEREM

É uma historia que faz arripiar os cabellos.
Ha aqui bacamartes e pistolas, lagrimas e sangue, gemidos e berros, anjos e demonios.
É um arsenal, uma sarrabulhada, e um dia de juizo!
Isto sim que é romance!
Não é romance; é um soalheiro, mas tragico, mas horrivel, soalheiro em que o sol esconde a cara.

Como da seva mesa de Thyestes
Quando os filhos por mão de Atreu comia.


Escreve-se esta chronica em quanto as imagens dos algozes e victimas me cruzam por diante da phantasia,

como bando de aves agoureiras, que espirram de pardieiro esboroado, se as acossa o archote de um

phantasma.

Tenebroso e medonho! É uma dança macabra! um tripudio infernal! cousa só semelhante a uma novella

pavorosa das que aterram um editor, e se perpetuam nas estantes, como espectros immoveis.

Ha ahi almas de pedra, corações de zinco, olhos de vidro, peitos de asphalto?

Que venham para cá.

Aqui ha cebola para todos os olhos;

Broca para todas as almas;

Cadinhos de fundição metallurgica para todos os peitos.

Não se resiste a isto. Ha-de chorar toda a gente, ou eu vou contar aos peixes, como o padre Vieira, este

miserando conto.

Os dias actuaes são melancolicos; a humanidade quer rir-se; muita gente, séria e sisuda, se compra um

romance, é para dar treguas ás despoetisadas e pêcas realidades da vida.

Sei-o de mais. Eu tambem compro os livros dos meus amigos, para espairecer de meditações serumbaticas em que me anda trabalhado o espirito.

Sei quantos devo, e que favores impagaveis me deveria, leitor bilioso, se eu lhe encurtasse as horas com

paginas galhofeiras, picarescas, salitrosas, travando bem á malagueta, nos beiços de toda a gente, afóra os

seus.

Tenha paciencia: ha de chorar ainda que lhe custe.

Se respeita a sua sensibilidade, fique por aqui; não leia o resto, que está ahi adiante uma, ou duas são ellas, as scenas das que se não levam ao cabo, sem destillar em lagrimas todos os liquidos da economia animal.

Este romance foi escripto n'um subterraneo, ao bruxolear sinistro de uma lampada.

Alfredo de Vigny não diz que escreveu um drama, ás escuras, em vinte dias? E Frederico Soulié não se

rodeava de esqueletos e esquifes?

E outros não se espertaram com todos os estimulos imaginaveis de terror? Menos o do subterraneo... este é

meu, se me dão licença.

Pois foi lá que eu desentranhei do seio estes lobregos lamentos.

No fim de cada capitulo, vinha ao ar puro sorver alguns átomos de oxigenio, e todos me perguntavam se eu

tinha pacto com o diabo.

Almas plebeias! não sabem o que é a fidalguia do talento, que tem alcaçar nos astros, e nos antros lobregos da terra; não entendem este fadario do «genio», que elles chamam «excentricidade», como se não houvesse um nome portuguez que dar a isto.

O leitor sabe o que isto é? Já sentiu na alma o apertar de um caustico? Excruciaram-no, alguma vez, os

flagellos da inspiração corrosiva, como duas onças de sublimado?

Se não sabe o que isto é, estude pharmacia, abra um expositor de chimica mineral, e verá.

Não cuidem que podem ler um romance, logo que soletram. Precisam-se mais conhecimentos para o ler que

para o escrever. Ao auctor basta-lhe a inspiração, que é uma cousa que dispensa tudo, até o siso e a

grammatica. O leitor, esse precisa mais alguma cousa: intelligencia;--e, se não bastar esta, valha-se da

resignação.

Ora, está dito tudo.

Leiam isto, que é verdadeiro como o «Agiologio» de Ribadaneira, como as «Peregrinações» de Fernão

Mendes, como todos os livros legados de geração a geração com o sinete da crença universal.
 
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A ALGUNS DOS QUE LEREM

Não será uma acção meritoria amoldurar em fórmas verosimeis a virtude, que os pessimistas acoimam de

impraticavel n'este mundo? Hão de só crer nas façanhas do crime, nas hyperboles da maldade humana, e negar

as perfeições do espirito, descrêr o que ultrapassa as balisas de uma certa virtude convencional, que não custa

dores a quem a usa?

Se os espanta as excellencias da mulher que vou debuxar, antes de m'as impugnarem, afiram-se pela natureza,

interroguem-se, concentrem-se no arcano immaculado da sua consciencia. Se me rejeitam a verdade de

Ludovina, se me dizem que a este inferno do mundo não podia baixar tal anjo, sabem o que é esse descrer? é

apoucamento de alma para idear o bello; é o regelo do coração que rebate as imagens ainda aquecidas do

halito puro da divindade.

Se a mulher assim fosse impossivel, o romancista que a inventou, seria mais que Deus.
 
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CAPITULO AVULSO

PARA SER COLLOCADO ONDE O LEITOR QUIZER

Francisco Nunes...

Que nome tão peco e charro! Francisco Nunes!

Pois se o homem chamava-se assim!?

Deus sabe que tristezas eram as d'elle por causa deste Nunes. O rapaz tinha talento de mais para escrever

folhetins lyricos, e outras cousas. Pois nunca escreveu por que não queria assignar-se Nunes.

Ha appellidos que parecem os epitaphios dos talentos.

Um escriptor Nunes morre ao nascer.

Bem o sabia elle.

Houve em Portugal um escriptor chamado Antonio José. Se a inquisição o não queima, ninguem se lembrava

hoje d'elle.
 
(...)
 
Ler mais em:
 
 
 
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Casa de Camilo - Noites de Insónia

«As “Noites de Insónia” têm como finalidade a descoberta de formas diferentes de aproximação aos textos camilianos, através da discussão em grupo de determinadas obras, escolhidas previamente. Do gosto pela leitura e da conversa sobre o que se lê, da troca de opiniões, de pontos de vista, de associações, procuraremos criar cumplicidades e desenvolver o gosto por uma leitura mais activa e partilhada da obra do romancista de Seide.» http://camilocastelobranco.org/index2.php?co=569&tp=6&cop=260&LG=0&mop=604&it=evento_lst Coordenadores: 2009 - Professor Cândido Oliveira Martins - Universidade Católica de Braga 2010 - Professor Sérgio Guimarães de Sousa - Universidade do Minho 2011 - Prof. João Paulo Braga

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