Casa de Camilo

Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco
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25 de janeiro de 2010

SÍNTESE BIOGRÁFICA


(Foto de Lucília Ramos)


Camilo Castelo Branco (1825-1890)

Escritor português (Lisboa, 16.3.1825 - São Miguel de Ceide, 1.6.1890).

Filho natural de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, oriundo de uma farmília da pequena e recente burguesia trasmontana, perde a mãe aos dois anos e o pai aos dez. Por decisão do conselho de família, vai, com a irmã Carolina, viver para Vila Real, a cargo de uma tia paterna, Rita Emília, que não se desvelará muito em carinho pelos dois órfãos. Quando, em 1839, a irmã casa com o futuro médico Francisco José de Azevedo, vai viver com eles para Vilarinho da Samardã e aí, por entre os acasos de uma adolescência nem sempre fácil, recebe a sua primeira formação cultural com as lições do P.e António de Azevedo, irmão do cunhado, que lhe ensina doutrina cristã, latim, francês e língua portuguesa. Aos 16 anos (em 18.8.1841), casa com Joaquina Pereira da França, camponesa do lugar de Friúme, concelho de Ribeira de Pena, onde temporariamente exercia as funções de amanuense; depressa, porém, a abandonaria. A adolescente, que lhe dera uma filha, nascida a 25.10.1841, morreria em 25.11.1847, poucos meses antes dessa filha, falecida a 10.3.1848. A sua volubilidade não tardaria em substituí-la, numa longa cadeia de amores que o levará sucessivamente aos braços de Patrícia Emília, que dele teve também uma filha, Bernardina Amélia, nascida a 25.6.1848; de Isabel Cândida Mourão, religiosa do Convento da Avé Maria; e, por fim, aos de Ana Plácido, a mulher fatal da sua vida.

Estimulado a príncipio pelo sogro, pensa formar-se em Medicina e matricula-se, na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, que frequenta de 1842 a 1845. Em 1846, porém, já está em Coimbra, provavelmente para estudar Direito, curso que nem sequer iniciou. Volta a Vila Real, mas, a partir de 1848, fixa-se no Porto, decidido a ganhar a vida como jornalista. Num momento de fugaz exaltação religiosa, matricula-se no Seminário daquela diocese, com a intenção de se ordenar (1850), mas a pretensa vocação apagava-se escassos meses depois. Logo retoma a vida aventurosa de estroina «leão» romântico, dividida entre os cafés, os teatros, os salões da burguesia portuense de fresca data e as redacções dos jornais. É neste período que conhece Ana Augusta Plácido, casada com o comerciante regressado do Brasil, Manuel Pinheiro Alves, fazendo dela o objecto de uma desordenada paixão romântica. Seduzida e igualmente apaixonada, Ana abandona o marido e foge com Camilo para Lisboa.

Conhecido o escândalo, a esposa adúltera é posta em reclusão no Convento da Conceição de Braga (Julho de 1859), mas ao fim de pouco mais de um mês foge, retomando a convivência com C. Instaurado o processo por adultério, é presa na Cadeia da Relação do Porto e C., depois de vaguear pelo Minho e Trás-os-Montes, ali se entrega também a 1.10.1859. Absolvidos, vão viver para Lisboa, onde lhes nasceria o filho Jorge (28.6.1863), até que, em 1864, falecido Pinheiro Alves (15.7.1863), se instalam em São Miguel de Ceide, na casa que lhe pertencera e passara por herança a Manuel Plácido, seu pretenso filho, mas, ao,que tudo leva a crer, filho de C. Com uma família a sustentar (o filho Nuno nascera nesse mesmo ano de 1864) e sem outros recursos além dos do seu trabalho, C. faz da pena o ganha-pão único numa ansiosa e febril necessidade de escrever para viver. Assim lhe vão decorrer os últimos 25 anos de vida, numa casa triste, cercada de paisagem triste. O destino dos filhos adensa-lhe sobre a alma nuvens negras de funestos presságios: Manuel, após uma falhada aventura comercial em Angola, entrega-se aos excessos de uma vida de boémia e morre prematuramente a 17.9.1877; Nuno segue-Ihe o exemplo, numa sucessão ininterrupta de aventuras, jogo e degradação a que nem um casamento de escândalo, patrocinado pelo pai, consegue pôr termo; Jorge, que começara desde cedo a dar inequívocos sinais de perturbação mental, mergulhava pouco a pouco num estado de demência irrecuperável. Em 1858, por proposta de Alexandre Herculano, é eleito para a Academia das Ciências e em 18.6.1885 é agraciado por D. Luís com o título de visconde de Correia Botelho. As honrarias, porém, longe de lhe afagarem a vaidade, apenas podiam dar-lhe a vaga esperança de acautelar para a família um futuro menos ameaçado de indigência. E é talvez por isso que concorda em regularizar a sua situação conjugal com Ana Plácido. A 9.3.1888, quando há muito se apagara o encanto e o fogo romântico daquela ligação amorosa nos atritos mesquinhos de um quotidiano onde a poesia dera progressivo lugar à tragédia, celebra-se finalmente o casamento.

Atormentado pela doença, mergulhado em insanável tristeza, contra a qual apenas reage com a lâmina fina da ironia ou o látego terrível do sarcasmo, joguete permanente da sua alucinante instabilidade psíquica, ameaçado pela cegueira, julgando caminhar para a loucura que a tradição da família dava como estigma fatal de muitos dos seus, C. afunda-se no pessimismo e arrasta penosamente a cruz da sua expiação até que, vencido, se suicida.

Estas circunstâncias biográficas, onde o trágico se mistura com o romanesco, o sério com o burlesco, a honradez com a ligeireza moral e o sentido do religioso se vê permanentemente em conflito com a descrença e até com a blasfémia, uma capacidade de observação em permanente e atento exercício sobre o seu próprio mundo e o mundo que o rodeia, uma imaginação que não conhece limites nem restrições, uma irrequieta instabilidade psicólogica, a volubilidade sentimental filha do seu temperamento romântico e a sua constante rebeldia de carácter, definem a perspectiva através da qual criou o mundo ficcional de toda a sua obra, enquadrado pela paisagem das províncias nortenhas do Minho e de Trás-os-Montes, com os seus ambientes rurais ou provincianos, tendo por centro o meio mais desenvolvido do Porto, onde se agita toda uma sociedade em constante e profundo conflito travado, bem à maneira romântica, entre os interesses materiais da realidade e as exigências da sensibilidade e do ideal.


Da Página de Casa de Camilo:

http://www.camilocastelobranco.org/index2.php?1&it=paginas&mop=0&LG=0&SID=81912d7fe6b214f723efb84597da7356&co=57

22 de janeiro de 2010

“Casas com História” – Estreia na RTP2

Postagem em "Casa de Camilo": http://casadecamilo.wordpress.com/2010/01/21/estreia-casas-com-historia-rtp2-23-de-janeiro-19h30/


“Casas com História” – Estreia na RTP2 (23 de Janeiro – 19h30)


Janeiro 21, 2010 por casadecamilo














(Sala de visitas da Casa de Camilo - Foto de Fernando Guerra)


Estreia no próximo Sábado, dia 23 de Janeiro, às 19h30, na RTP2, o Programa “Casas com História”, o qual proporcionará uma visita por 13 residências de personalidades da vida e da cultura portuguesas que, segundo a Direcção de Programas da RTP, merecem ser conhecidas pelo grande público.

Falar-se-á de figuras como Camilo Castelo Branco ou Teixeira de Pascoaes ou José Régio através dos espaços onde viveram e criaram, dos seus objectos, das suas rotinas domésticas. É a memória de escritores, pintores, escultores, políticos, médicos, empresários e mecenas das artes em Portugal fixada naquelas que foram as suas casas, museus muito especiais, lugares de valor patrimonial inestimável que revelam ricos e exclusivos acervos, e que contam histórias que fizeram a história do país.

A ordem de exibição dos documentários é a seguinte:

1 - Casa de Camilo Castelo Branco - 23 de Janeiro

2 – Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio – 30 de Janeiro

3 – Casa-Museu Egas Moniz – 6 de Fevereiro

4 – Casa-Museu José Régio – 13 de Fevereiro

5 – Casa-Museu Teixeira Lopes – 20 de Fevereiro

6 – Casa-Estúdio Carlos Relvas – 27 de Fevereiro

7 – Casa dos Patudos – 6 de Março

8 – Casa-Museu Fundação Medeiros e Almeida – 13 de Março

9 – Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves – 20 de Março

10 – Casa-Museu Guerra Junqueiro – 27 de Março

11 – Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire – 3 de Abril

12 – Casa Teixeira de Pascoaes – 10 de Abril

13 – Casa-Museu Almeida Moreira – 17 de Abril

12 de janeiro de 2010

A Queda dum Anjo



Fonte: LITHIS

Camilo Castelo Branco: A Queda dum Anjo


Título

transgressão, passagem (queda) de um ser sem defeitos, divinizado (anjo) a um ser humano, humanizado pelo amor;

a máxima de Rousseau " O homem nasce bom, mas a sociedade corrompe-o".

Breve resumo do enredo da obra

Calisto Elói, morgado da Agra de Freimas, vive em Caçarelhos com sua mulher, D. Teodora de Figueiroa, e com os seus livros clássicos, cuja leitura é o seu entretenimento preferido. Tendo sido eleito deputado pelo círculo de Miranda, vem para Lisboa, disposto a lutar contra a corrupção dos costumes. Faz furor no Parlamento com os seus discursos conservadores, através dos quais mostra um perfeito domínio da oratória parlamentar. Defende principalmente o bom uso da língua portuguesa e combate o luxo e os teatros. Sempre apoiado na sua cultura livresca, os seus discursos fazem sensação no Parlamento, causando as mais desencontradas reacções. Defendendo sempre a moral dos bons costumes antigos e atacando os modernos, a sua figura vai-se avolumando, adquirindo uma dimensão grandiosa. Depois de atingir o climax, inicia-se o processo da queda. Esta consiste essencialmente na transformação total do herói, que adquire os costumes modernos que tanto condenava. Inicia uma relação ilícita com D. Ifigénia Ponce de Leão, com quem acaba por viver maritalmente e de quem tem dois filhos. Entretanto D. Teodora, abandonada pelo marido, vai também viver maritalmente com seu primo, Lopo de Gamboa, de quem tem um filho.

(...)

Portugal Velho Portugal da Regeneração
Inventariação do Tempo

Tempo da narração: "hoje" Cap. I - coincide com o ano de 1864;

Tempo da história: "Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra Freimas, tem hoje 49 anos, por ter nascido em 1815, casou talvez em 1835, foi presidente da Câmara de Miranda em 1840, veio para o Parlamento em fins de Janeiro de 1859 e aí permaneceu durante um triénio. É neste triénio que se desenrola a acção principal do Romance/Novela.

(...)
Calisto Anjo  - Calisto Homem


As intensões críticas da obra

A ignorância dos morgados e o atrazo em que vive o interior do país;

O casamento por interesse, causa de frustrações afectivas;

O passado, tempo de virtudes fundamentais, mas incapazes de fermentar o presente;

O tempo da regeneração, tempo de algum progresso, mas também de muita corrupção;

O desfasamento entre o discurso de "caça aos votos" e a prática parlamentar;

A defesa da língua portuguesa;

O valor positivo da sexualidade: o amor, assumido pessoalmente, é fecundo e agente de transformação;

Destruição do conflito milenar entre o prazer amoroso e o pecado/remorso.

http://www.lithis.net/28

3 de janeiro de 2010

A LITERATURA EM CAMILO CASTELO BRANCO

CAMILO CASTELO BRANCO é um escritor apaixonado da vida, apesar do seu fim trágico. Camilo deu um tiro na cabeça e a sua existência terminou. Não deixou que a doença tomasse conta de si, apesar da cegueira de que foi vítima, limitasse o seu trabalho. A palavra, não tinha segredos para o escritor. A palavra era a arma que tão bem dominava. O escritor, que fazia depender a sua existência da produção literária, isto no século XIX , numa altura em que a leitura não era das primeiras necessidades das populações, escreveu desalmadamente. Era um operário da escrita.

Camilo escreveu coisas lindas e foi um homem do amor. Diz ele que o amor é o sangue mais apressado; que o amor acelera a circulação do sangue. Camilo tinha a sensibilidade adequada .e em doses certas para que a mulher sentisse o desejo das suas caricias, sempre impregnadas do calor humano em dose ideal, para que no silêncio, a mensagem de ternura pudesse surtir o efeito desejado.

Mas apesar de ser efectivamente uma pessoa dotada do conhecimento suficiente para bem utilizar as ferramentas da vida, Camilo teve nela algumas quebras, quer na sua actividade particular quer no aspecto amoroso, tendo comportamentos às vezes de ética duvidosa, que o desiludiram a si próprio, e que o levava a dizer, nesses momentos mais difíceis, “não gosto nada da pessoa que me estou a transformar.."

O escritor adorava as conversas com os habitantes locais da região de S. Miguel d e Seide, onde habitava. Às tardes, quando as trindades batiam e as pessoas regressavam das lides do campo, não raro o escritor aparecia junto dessa população anónima mas sabedora, possuidora de um património enorme de experiências feitas,

A sua vida de escritor era difícil em termos da resolução de problemas correntes e passou pelas penosas quezílias domesticas às quais se habituou. E pela sofreguidão que sentia, sem saber de quê, pelas dificuldades de dinheiro. Mas soube sempre diminuir a distância que existirá sempre entre o que se deseja e a realidade...

Haverá coisa mais difícil do que ser feliz, costumava perguntar...A felicidade é um estado de espírito de curta duração, com que uns convivem melhor outros pior Apesar de felicidade não ter nada a ver com dinheiro, o escritor costumava dizer que aos ricos apenas se lhe depara um caminho para a conservação da sua fortuna: - Apoderarem-se do Estado.

O escritor deve ser com o farol no mar que nos indica a direcção a seguir. É ele que nos ajuda a moldar o carácter .E a ver as coisas boas da vida. E a ser solidário, tolerante e amigo.

 
Fonte:

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Casa de Camilo - Noites de Insónia

«As “Noites de Insónia” têm como finalidade a descoberta de formas diferentes de aproximação aos textos camilianos, através da discussão em grupo de determinadas obras, escolhidas previamente. Do gosto pela leitura e da conversa sobre o que se lê, da troca de opiniões, de pontos de vista, de associações, procuraremos criar cumplicidades e desenvolver o gosto por uma leitura mais activa e partilhada da obra do romancista de Seide.» http://camilocastelobranco.org/index2.php?co=569&tp=6&cop=260&LG=0&mop=604&it=evento_lst Coordenadores: 2009 - Professor Cândido Oliveira Martins - Universidade Católica de Braga 2010 - Professor Sérgio Guimarães de Sousa - Universidade do Minho 2011 - Prof. João Paulo Braga

Encontros 2012 - Professor Sérgio

15 Fevereiro - "Memórias do Cárcere" - Discurso Preliminar
7 Março - "Memórias do Cárcere" - Do I capítulo ao V

Encontros 2011 - Professor Paulo

2011 "A Viúva do Enforcado" - 16 de Novembro - 21:30 "A Filha do Arcediago" - 19 de Outubro - 21:30 "As Aventuras de Basílio Enxertado" - 21 de Setembro - 21:30 "Maria Moisés" - 9 de Julho - 21:30 "O Cego de Landim" - 15 de Junho - 21:30 "O Retrato de Ricardina" - 4 de Maio - 21:30 "A Corja" - 6 de Abril - 21:30 "Eusébio Macário" - 9 de Março - 21:30 "A Sereia" - 9 de Fevereiro - 21:30

Encontros 2010 - Professor Sérgio

"Memórias de um suicida" - 30 de Novembro - 20h "O que fazem Mulheres" - 6 de Outubro - 21:30h "O Amor de Perdição" - 16 Junho - 20h "O Senhor do Paço de Ninães" - 21 Abril - 21h30 "Anátema" - 24 Março - 21h30 "A Bruxa de Monte Córdova" - 24 Fevereiro - 21h30 "A Queda dum Anjo" - 20 Janeiro - 21h30

Encontros 2009 - Professor Cândido

"Estrelas Propícias" - 11 Novembro - 20h "A Brasileira de Prazins" - 21 Outubro - 21h00 "Novelas do Minho" - 16 Setembro - 21h30 "Coração, Cabeça e Estômago" - 17 Junho - 21h30 "Vinte horas de Liteira" - 22 Maio - 21h30 "Memórias do Cárcere" - 30 Abril - 21h30